A 2ª edição da Sustenta Conferência reuniu profissionais, lideranças, organizações da sociedade civil, associadas do W-CFO Brazil e integrantes da rede Simões Pires em um dia dedicado à troca de experiências e à reflexão sobre cultura organizacional, liderança, comportamento e os desafios para construir instituições mais preparadas para a realidade atual.
Realizada pelo Núcleo Assistencial Fraterno (NAF), a conferência também contou com uma participação especial da Associação Locomotiva João Ramalho, que abriu a programação com uma apresentação da Orquestra Locomotiva. O momento trouxe música, cultura e emoção para o encontro, apresentando o trabalho desenvolvido pela organização com crianças, adolescentes e idosos por meio da música e da inclusão social.
A presença da Orquestra reforçou uma das dimensões que estiveram presentes durante toda a conferência: a transformação social também acontece quando diferentes pessoas e organizações se unem para compartilhar conhecimento, experiências e oportunidades.

Um encontro para fortalecer o terceiro setor
A Sustenta Conferência foi construída como um espaço de aprendizado, diálogo e conexão entre pessoas que atuam em diferentes frentes do terceiro setor.
Ao longo da programação, os participantes puderam acompanhar palestras, compartilhar experiências, participar de reflexões em grupo e ampliar sua rede de contatos. A proposta foi olhar não apenas para os resultados das organizações, mas também para aquilo que acontece internamente e influencia diretamente a forma como cada instituição cumpre sua missão.
Entre os participantes estiveram associadas do W-CFO Brazil e integrantes da rede Simões Pires, fortalecendo a conexão entre diferentes iniciativas, profissionais e organizações comprometidas com o desenvolvimento do setor.
O código invisível das organizações
Um dos destaques da programação foi a palestra “O código invisível”, conduzida por Alexandre Queiroz, fundador e gestor do Instituto Karis.
A apresentação trouxe uma reflexão sobre como a cultura influencia os comportamentos cotidianos e sobre como práticas repetidas acabam se tornando parte da identidade de uma organização.
Entre os temas abordados estiveram a cultura da fragmentação, a necessidade de enxergar a pessoa de forma integral e a importância de construir uma “contracultura do cuidado”. A palestra também apresentou quatro práticas para essa transformação: escutar antes da classificação, utilizar uma linguagem que humaniza, trabalhar em rede e colocar a dignidade como ponto de partida.
A reflexão mostrou que existe uma diferença importante entre aquilo que uma organização afirma valorizar e aquilo que efetivamente acontece em suas práticas cotidianas.

Cultura começa na liderança
Outro momento central da conferência foi a palestra “Cultura começa na liderança”, conduzida por Solange Waileman, presidente do NAF.
A discussão abordou a relação entre liderança, ambiente emocional, comportamentos e cultura organizacional. A partir dessa perspectiva, foi apresentada a ideia de que todo líder deixa uma marca emocional e influencia, por meio de suas atitudes, aquilo que a equipe aprende e reproduz.
A palestra também tratou das emoções diante das mudanças. Medo, curiosidade, ansiedade, entusiasmo e insegurança foram apresentados como diferentes respostas que podem surgir diante de uma transformação.
Mais do que enxergar a resistência apenas como um obstáculo, a reflexão propôs compreender o que está por trás dela: o que a pessoa acredita que pode perder? Segurança? Autonomia? Pertencimento? Relevância? Previsibilidade?
Da reflexão individual à transformação da organização
A programação também convidou os participantes a olhar para a própria atuação.
A reflexão foi organizada em três dimensões: eu, equipe e organização. No âmbito individual, a discussão abordou como cada pessoa reage diante das mudanças. Na dimensão da equipe, foram levantadas questões sobre aquilo que as pessoas aprendem observando seus líderes: se é possível errar e aprender, discordar, apresentar novas ideias ou comunicar um problema antes que ele se transforme em uma crise.
Já no âmbito organizacional, a conferência provocou uma análise sobre aquilo que as instituições toleram e que, consequentemente, também passa a fazer parte de sua cultura.
A sucessão também foi apresentada como parte importante da cultura organizacional. Liderar, nesse sentido, também significa preparar a organização para continuar sua trajetória mesmo quando seus líderes mudarem.

O que precisamos mudar?
Outro momento de participação coletiva foi a reflexão sobre o que as organizações precisam mudar para se adequar à nova realidade.
Os participantes foram convidados a identificar três movimentos: o que precisam deixar de fazer, o que precisam começar a fazer e o que precisam continuar fazendo.
A proposta aproximou os conteúdos apresentados da realidade de cada instituição e estimulou uma análise prática sobre comportamentos, processos e escolhas que podem contribuir para uma transformação cultural.
Cultura interna e impacto social
Um dos principais pontos que atravessaram a conferência foi a relação entre a cultura vivenciada internamente e a qualidade do trabalho realizado junto aos públicos atendidos.
A reflexão proposta foi direta: como oferecer escuta, respeito e dignidade aos assistidos se esses mesmos valores não são experimentados pelos próprios colaboradores?
Para o terceiro setor, essa discussão ganha uma dimensão especialmente importante. As organizações existem para gerar impacto social, mas também são formadas por pessoas, relações, processos e escolhas que determinam a maneira como esse impacto acontece.
A Sustenta Conferência reforçou, assim, que transformar uma organização também passa por transformar sua cultura.
Conexões que fortalecem o terceiro setor
Além das palestras e reflexões, a conferência criou oportunidades para que diferentes organizações e profissionais estivessem juntos, compartilhando experiências e construindo novas conexões.
A presença da Orquestra Locomotiva, das associadas do W-CFO Brazil e da rede Simões Pires contribuiu para ampliar essa experiência, aproximando cultura, responsabilidade social, gestão e desenvolvimento institucional em um mesmo espaço.
O encontro também contou com um painel sobre a importância da cultura e da liderança na evolução das instituições, reunindo Sergio Schuindt, diretor da Associação Locomotiva; Bianca Dennanni Bonfiglioli, diretora de Inovação e Fomento da Simões Pires; Nathalia Kaluana, fundadora da Kaluana Estratégia e Captação de Recursos; e Solange Ferreira, mediadora do W-CFO Brazil.
Uma reflexão que continua depois da conferência
Ao longo do encontro, uma mensagem esteve presente em diferentes momentos: a cultura não é apenas aquilo que uma organização declara ser. Ela é construída diariamente pelas atitudes, relações, escolhas e comportamentos que se tornam parte da rotina.
A 2ª edição da Sustenta Conferência proporcionou um espaço para olhar para dentro, aprender com diferentes experiências e refletir sobre os caminhos necessários para construir organizações mais humanas, integradas e preparadas para os desafios do presente e do futuro.
Mais do que um evento, a Sustenta reforçou a importância da conexão entre pessoas e instituições para fortalecer o terceiro setor e ampliar seu impacto na sociedade.
